Eu sempre quis entender: porque não entendo, escrevo. Como jamais entenderei, até o fim da vida tentarei expressar em palavras e entrelinhas esse desejo inalcançável.

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8 de novembro de 2012

 
Ao vestirmos nossa pele de fatos não planejados, fazemos que momentos inesperados visitem com frequência nossa jornada. Tão gostoso amanhecer por dentro antes de abrir a janela pra ver a cor do dia. E pintar nosso hoje de acordo com o sentimento da vez, sem se preocupar com o que acontece depois. Não planejar algo significa deitar inteira no berço da surpresa, ora colorida, ora suspensa de ânimo. Não planejar, significa abrir-se aos riscos e tratar com fluidez nossos sentimentos, deixar-nos sentir sem artifícios. Porém, por vezes tão cansada, preciso do esperado.Preciso da palavra delicada que chega sem que eu peça, mas que espero por ela.Preciso também descansar esses sustos que mudam o rumo do caminho e da prosa. Às vezes, só quero o risco que não dói tanto, só pra garantir que minha parcela de pranto será guardada em algum canto qualquer de difícil acesso interior. Queria poder transformar o não esperado em aconchego, em chamego a dois que deita na rede da ausência de preocupações. Em certezas que se sente em um olhar e que joga pra debaixo do tapete todas as dúvidas. Queria que o frio na barriga fosse uma cosquinha gostosa que traz leveza e não aperto. É que eu gosto de correr riscos, sabe.De me percorrer toda pela minha parte de dentro.Mas tudo sempre tão intenso demais, exige uma alma preparada e especialmente armada de gentileza . E só por hoje, eu queria sentir um verão no meu pressentimento que aquece o momento e me abraça quando diz: calma moça, espera mais sem esperar nada, mesmo de surpresa, tudo desperta no seu tempo.

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